luciano vaz pinheiro

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA CAMPUS DE BOTUCAT...

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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA CAMPUS DE BOTUCATU

CRESCIMENTO RELATIVO DE ÓRGÃOS E VÍSCERAS DE BUBALINOS MEDITERRÂNEO NÃO-CASTRADOS TERMINADOS EM CONFINAMENTO

LUCIANO VAZ PINHEIRO

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Zootecnia, Área de Concentração-Nutrição Animal como parte das exigências para obtenção do título de mestre.

Botucatu - SP Dezembro - 2007

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA CAMPUS DE BOTUCATU

CRESCIMENTO RELATIVO DE ÓRGÃOS E VÍSCERAS DE BUBALINOS MEDITERRÂNEO NÃO-CASTRADOS TERMINADOS EM CONFINAMENTO

LUCIANO VAZ PINHEIRO Zootecnista

Orientador: Prof. Dr. André Mendes Jorge

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Zootecnia, Área de Concentração- Nutrição Animal como parte das exigências para obtenção do título de mestre.

Botucatu – SP Dezembro – 2007

FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA SEÇÃO TÉCNICA DE AQUISIÇÃO E TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO – SERVIÇO TÉCNICO DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO - UNESP - FCA - LAGEADO - BOTUCATU (SP)

P654c

Pinheiro, Luciano Vaz, 1978Crescimento relativo de órgãos e vísceras de bubalinos Mediterrâneo não-castrados terminados em confinamento / Luciano Vaz Pinheiro. – Botucatu : [s.n.], 2007. iv, 41 f. : il., tabs. Dissertação (Mestrado) -Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Botucatu, 2007 Orientador: André Mendes Jorge Inclui bibliografia 1. Alometria. 2. Búfalo. 3. Carcaças. I. Jorge, André Mendes. II. Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Campus de Botucatu). Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia. III. Título.

iii

AGRADECIMENTOS

A minha família, pela paciência, apoio e palavra amiga. Ao professor André Mendes Jorge por ser um homem abençoado e ter princípios dignos de um mestre. A minha namorada Miriam, pelo companheirismo e dedicação. Ao conselho do Programa de Pós-graduação em Zootecnia, FMVZ, Unesp, Botucatu, por aceitar o meu ingresso no mestrado.

iv

SUMÁRIO Página CAPÍTULO 1 Considerações Iniciais ................................................................................................5 Referências bibliográficas..........................................................................................20 CAPÍTULO 2 Crescimento Relativo de Órgãos e Vísceras de Bubalinos Mediterrâneos NãoCastrados Terminados em Confinamento ................................................................24 Resumo .....................................................................................................................25 Abstract .....................................................................................................................26 Introdução .................................................................................................................26 Material e Métodos ...................................................................................................27 Resultados e Discussão .............................................................................................31 Conclusões ................................................................................................................37 Literatura citada ........................................................................................................38 CAPÍTULO 3 Implicações.................................................................................................................40

5 CAPÍTULO 1

1 2

Considerações iniciais

3

Na atualidade, a necessidade de aumentar a eficiência dos sistemas de produção

4

de proteína de origem animal é premente em razão, principalmente, do crescimento da

5

população mundial, que demanda alimentos alternativos e saudáveis. A carne de búfalo

6

se apresenta como opção, por sua equivalência nutritiva à carne bovina, embora exista

7

alguma rejeição ocasionada pelo abate de animais velhos e o insatisfatório abate, pela

8

manipulação e comercialização da carne de forma inadequada.

9

O rebanho de bubalinos do Brasil tem o maior índice de crescimento dentre todos

10

os animais domésticos. A Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos estima o

11

rebanho em 3 milhões de cabeças (Bernardes, 2006).

12

Dados do Anualpec (FNP, 2005), indicam que de 1996 até 2005 o rebanho

13

bubalino no Brasil cresceu cerca de 16,9% e de acordo com Silva et al. (2003) e

14

Mariante et al. (2003), a taxa anual de crescimento do rebanho bubalino é cinco vezes

15

maior que a de bovinos no Brasil, sendo superior a 12%, embora existam estimativas de

16

que esta taxa possa chegar aos 16%.

17

Búfalos possuem maior capacidade de depositar proteínas no tecido muscular

18

(elevando a qualidade da carne), mantendo o nível de gordura dentro do mínimo

19

necessário e, além disso, apresentam boa adaptabilidade aos trópicos, diversas

20

condições de manejo e alimentação (Jorge et al., 1997).

21

No desempenho zootécnico, de acordo com Sekhon & Bawa (1996) e Faila et al.

22

(1997), os búfalos são mais precoces do que os bovinos e têm exibido maior ganho de

23

peso do que os zebuínos, apresentando valores muito semelhantes em performance.

24 25

6 1 2

De acordo com Jorge (1999), se as condições de alimentação e manejo forem otimizadas, esses animais podem apresentar cerca de 1,5 kg de ganho de peso por dia.

3

Sendo assim, o setor busca maior produtividade e alternativas que diminuam os

4

custos de produção. Nesse contexto, o desempenho animal vem sendo amplamente

5

estudado, principalmente por estar intimamente ligado à lucratividade deste setor.

6

O plano de alimentação e o peso de abate geralmente são variáveis consideradas

7

pelos produtores e abatedouros como indicativos das condições do produto final, mas o

8

conhecimento do desenvolvimento corporal, que depende da taxa de crescimento,

9

determinada pelo nível de alimentação, também deve ser levado em consideração.

10

No Brasil, vale salientar poucos estudos relativos ao desenvolvimento do trato

11

gastrintestinal (TGI) e tamanho dos órgãos internos dos animais domésticos (Jorge et

12

al., 1997; Signoretti et al., 1996; Oliveira et al., 1994; e Peron et al., 1993). Durante o

13

abate são obtidos uma série de subprodutos que não fazem parte da carcaça,

14

vulgarmente chamados de vísceras.

15

O estudo do desenvolvimento dos órgãos internos é essencial, na medida em que

16

gera informações auxiliares na determinação do peso ótimo de abate de cada raça e em

17

virtude do aproveitamento e suas contribuições para a eficiência no sistema de produção

18

animal.

19

Assim, objetivou-se com este trabalho avaliar o crescimento relativo dos órgãos e

20

vísceras de bubalinos Mediterrâneo não-castrados terminados em confinamento,

21

abatidos em diferentes peso corporal.

7 1

No Capítulo 1 estão apresentados os aspectos mais relevantes dentro do estudo

2

alométrico em seguida, no Capítulo 2 estão apresentados, na íntegra, o estudo do

3

crescimento relativo dos componentes do corpo de bubalinos Mediterrâneo terminados

4

em confinamento, segundo as normas da Revista Brasileira de Zootecnia. No Capítulo 3

5

estão as implicações do trabalho.

6

Desenvolvimento corporal

7

O conhecimento da curva de crescimento das diferentes partes do animal, em

8

diferentes grupos genéticos, permite a compreensão das variações no desempenho e as

9

exigências nutricionais, entre outros aspectos.

10

O crescimento das partes do corpo é estudado alometricamente, podendo assim

11

explicar as diferenças quantitativas geradas nas distintas fases de vida do animal. A

12

alometria explica parte das diferenças quantitativas produzidas entre animais, passando

13

a ser uma forma eficaz para o estudo de suas carcaças.

14 15

Durante o crescimento, os animais não aumentam apenas peso e tamanho, mas também sofrem alterações nas proporções com que os tecidos são depositados.

16

Oliveira (1999) destaca que o conhecimento sobre crescimento e desenvolvimento

17

corporal de bovinos é importante para subsidiar a melhoria da produção e da

18

produtividade dos rebanhos de corte.

19

Signoretti et al. (1996) definiram como ponto crucial o conhecimento das

20

possibilidades de manipulação do crescimento: quais tecidos e componentes químicos

21

envolvidos e qual proporção desses pode ser manipulada pela nutrição.

8 1

Almeida et al. (2001) relatam que as curvas de crescimento de tecidos individuais

2

e órgãos apresentam crescimento sigmoidal, porém com taxas de crescimento máximo

3

em momentos diferentes, impossibilitando sua superposição. Oliveira (1999)

4

complementa este raciocínio afirmando que a desaceleração do crescimento ocorre mais

5

precocemente nos órgãos vitais, em seguida nos ossos e músculos, com paralela

6

aceleração do crescimento dos tecidos adiposos.

7

Segundo Castillo Estrada (1996), o estádio de desenvolvimento no momento do

8

abate, tem grande influência na composição da carcaça, onde os músculos e o tecido

9

adiposo são os grandes responsáveis pelas variações observadas e o tecido ósseo é

10

relativamente constante.

11

Black (1989) citado por Oliveira (1999), evidencia as diferenças entre os grupos

12

genéticos quanto ao modelo de desenvolvimento ou à velocidade de formação dos

13

tecidos e dos órgãos. Estas diferenças parecem estar ligadas a diferenças no tamanho do

14

peso corporal adulto e à produção hormonal dos vários grupos genéticos.

15

Partes do corpo não integrantes da carcaça

16

Durante o abate são obtidos vários subprodutos que não fazem parte da carcaça e

17

são vulgarmente chamados de vísceras devido o seu baixo valor econômico, apesar de

18

constituírem o peso corporal, excetuando-se a carcaça. Participam, entre eles, o trato

19

digestivo e seu conteúdo, a pele, a cabeça, as patas, os pulmões com traquéia, o fígado,

20

o coração, os rins, o baço, a gordura interna, renal e pélvica, os testículos; no caso de

21

machos não castrados (Osório, 1992). Segundo Lawrie (1974), algumas vísceras, como

22

o fígado, constituem fontes valiosas de vitaminas como: vitamina A, B1, B2, B6, B12,

23

C, D, ácido fólico, ácido nicotínico, biotina, etc.

9 1

De acordo com Gesualdi Jr. et al. (2001), os estudos sobre o desenvolvimento e

2

enchimento do trato gastrintestinal e o peso dos órgãos internos do gado de corte são

3

escassos na literatura brasileira. Possivelmente, isso se deve ao fato de variáveis não

4

fazerem parte da carcaça comercial (Ribeiro et al., 2001).

5

O estudo das partes não-integrantes da carcaça (órgãos internos, cabeça, couro,

6

sangue, patas e gordura visceral) é importante, variam de acordo com as raças e dietas,

7

influenciam diretamente o rendimento de carcaça e o ganho em peso (Berg &

8

Butterfield, 1979; Jones et al., 1985; Oliveira et al., 1994), uma vez que as diferenças

9

nos tamanhos relativos dos órgãos estão associadas às diferenças nas exigências de

10

mantença (Smith & Baldwin, 1973).

11

Crescimento relativo das partes do corpo não-integrantes da carcaça

12

Segundo Black (1989), existem diferenças entre genótipos quanto ao modelo de

13

desenvolvimento ou velocidade de formação dos órgãos e dos tecidos que constituem a

14

massa do corpo.

15

A proporção e a velocidade com que os tecidos se acumulam no corpo,

16

influenciam o ganho em peso corporal e a eficiência alimentar (Shahin et al., 1993).

17

Desta forma, segundo Smith et al.,(1973), a composição do ganho poderia influir

18

diretamente na eficiência com que os alimentos são utilizados.

19

As taxas de crescimento dos órgãos e dos tecidos são afetadas direta ou

20

indiretamente por diferentes fatores tais como tamanho do corporal adulto, nível

21

nutricional e hormônios. A influência de fatores como temperatura ambiente,

22

comprimento do dia, tipo racial, doenças, parasitas e exercícios sobre o tamanho de

23

certos órgãos durante o crescimento ou à maturidade não está totalmente esclarecida

24

(Owens et al., 1993).

10 1

O estudo do desenvolvimento relativo dos órgãos e tecidos, podem ser realizados

2

segundo vários modelos (Robelin et al., 1974). Huxley (1924) propôs utilização do

3

modelo exponencial Y = a . Xb, transformado logaritmicamente em regressão linear, em

4

que “Y” representa a fração, cujo desenvolvimento se investiga, “X” é o todo que serve

5

de referência, “a” é o valor da ordenada na origem e “b” é o coeficiente de alometria,

6

que indica a velocidade relativa de crescimento de uma parte em relação ao todo. O

7

crescimento é isogônico, indicando as velocidades de desenvolvimento relativo de “X”

8

e “Y” similares no intervalo considerado. Se o crescimento é heterogônico, indicando as

9

velocidades de desenvolvimento de “X” e “Y” diferentes. Um valor de “b” maior que 1,

10

alometria positiva, reflete que “Y” desenvolve-se proporcionalmente menos que “X” .

11

Quando “b” é menor que 1, alometria negativa, a intensidade de desenvolvimento de

12

“Y” é maior a de “X”.

13

O coeficiente alométrico é utilizado com o intuito de conhecer saber a relação da

14

velocidade de crescimento de determinada parte frente ao todo (Robelin et al., 1974;

15

Osório et al., 1994, 1996).

16

Para o peso da maioria dos órgãos, em relação ao peso corporal vazio, o

17

coeficiente alométrico é menor que 1, ao passo que para o peso total de gordura

18

depositada aproxima-se de 2 (Robelin et al., 1974).

11 1

Huxley (1924) citado por Vieira (2004), relata que as variações morfogenéticas do

2

animal em crescimento acontecem principalmente por crescimento relativo, isto quer

3

dizer que certos componentes ou partes do organismos aumentam de peso ou de medida

4

a ritmo mais rápido ou mais lento do que outras, ou ainda que o ritmo de crescimento é

5

diferente: a) Fisiologicamente: alometria é expressão da competição das partes do

6

organismo pelos recursos disponíveis. b) Funcionalmente: alometria pode ser

7

considerada como expressão do princípio que o organismo deve permanecer funcional,

8

apesar das variações no seu tamanho absoluto. c) Geneticamente: o crescimento

9

relativo, ou seja, a capacidade de cada órgão ou tecido de tomar parte dos recursos

10

disponíveis está determinada geneticamente, isto é, os genes determinariam reações em

11

cadeia, as quais funcionam em forma simultânea, cuja relação quantitativa determinará

12

qual a parte, órgão ou tecido terá prioridade no uso dos nutrientes, determinando

13

conseqüentemente, as variações no crescimento relativo. O princípio de alometria pode

14

ser aplicado intraespecificamente para comparar indivíduos de mesma espécie, mas de

15

diferentes tamanhos, ou interespecificamente na comparação de animais de diferentes

16

raças e espécies.

17 18 19 20 21 22 23 24 25

12 1 2

Influência da raça e nível nutricional sobre o tamanho relativo dos órgãos internos

3

O estudo quantitativo das partes não-integrantes da carcaça é importante, pois

4

estas tendem a variar de acordo com o grupo genético, tendo influência direta sobre o

5

rendimento de carcaça, exigências de mantença e ganho em peso. As diferenças que

6

ocorrem nos tamanhos relativos dos órgãos internos, entre grupos genéticos, podem

7

estar associadas a diferenças nas exigências de mantença. Smith e Baldwin (1974)

8

mencionam que o coração, o fígado e o tecido do trato gastrintestinal estão entre os

9

tecidos de maior atividade metabólica nos animais.

10

Alguns autores têm observado menor peso do trato gastrintestinal(TGI) de

11

animais da raça nelore quando comparados a taurinos e/ou mestiços, principalmente de

12

origem leiteira (Gonçalves, 1988; Peron et al., 1993; Jorge, 1999). Estes autores

13

observaram que, de maneira geral, os animais mestiços tendem a apresentar maior

14

massa dos órgãos internos, em porcentagem do peso corporal, do que os animais Nelore.

15

Estas informações sugerem menor capacidade de ingestão de alimentos nos animais

16

nelores em relação aos taurinos e aos mestiços.

17

O regime alimentar e o peso de abate exercem influência sobre as proporções das

18

diferentes partes do corpo não integrantes da carcaça.Tem sido observado menor peso

19

do TGI de bovinos Nelore, submetidos a restrição alimentar, sugerindo possível atrofia

20

do mesmo, em resposta ao baixo consumo alimentar (Peron et al. 1993; Jorge, 1999).

13 1

Peron et al. (1993) e Jorge (1999) compararam bovinos Nelore e mestiços

2

abatidos ao início do experimento (mais leves) com animais submetidos à restrição

3

alimentar ou abatidos com maior peso corporal e alimentados "ad libitum" e verificaram

4

que, mesmo quando os animais são submetidos à restrição alimentar, por longo período

5

de tempo, o coração e os pulmões mantêm sua integridade, mostrando terem prioridade

6

na utilização dos nutrientes. No entanto, os autores constataram menor peso do fígado,

7

em relação ao PCVZ, em animais submetidos à baixo nível nutricional.

8

Seguindo metodologia semelhante a descrita acima, Jorge (1999), comparando

9

bovinos Nelore e mestiços e bubalinos, observou que animais, bem nutridos e pesados,

10

apresentaram, em geral, menores proporções dos órgãos internos em relação ao peso

11

corporal vazio. O autor ressalta que a redução da proporção dos órgãos no caso desses

12

animais deveu-se não a redução do tamanho, e sim ao crescimento mais lento, em

13

relação aos músculos e tecido adiposo.

14

Ferreira (2000) em seu trabalho com bovinos F1 Simental x Nelore alimentados

15

com dietas contendo vários níveis de concentrado, constatou que os pesos do coração e

16

do pulmão não foram influenciados pelos níveis de concentrado. Os pesos de baço,

17

fígado, rins, abomaso, intestino delgado, intestino grosso e gordura interna aumentaram

18

e o conteúdo do trato gastrintestinal e o peso do omaso diminuíram linearmente com a

19

inclusão de alimentos concentrado nas dietas.

20 21 22

14 1

Os fatores como raça, ganho em peso diário e dieta afetam a massa de órgãos

2

vitais e a relação entre seu peso e o peso corporal do animal (Lunt et al., 1986). Berg e

3

Butterfield (1976), citaram que os órgãos vitais apresentam maior desenvolvimento nas

4

fases mais precoces da vida do animal e que, à medida que a idade avança, a velocidade

5

de crescimento dos tecidos muscular e, principalmente, do adiposo é maior, passando os

6

órgãos internos a representarem menor proporção do PCVZ.

7

A alimentação distinta dos animais nos processos de produção, é fator que pode

8

influir na velocidade de crescimento e desenvolvimento dos órgãos e tecidos, conforme

9

relatou Callow (1961). Segundo Perón et al. (1993) e Signoretti et al. (1996), os pesos

10

do coração e do pulmão dificilmente são influenciados pelo nível de alimentação,

11

indicando que estes órgãos mantêm sua integridade.

12

Jorge et al. (1999); verificou que não houve redução nos pesos do coração e dos

13

pulmões, diferente do fígado e o trato gastrintestinal, após os animais passarem por

14

restrição alimentar.

15

Estudos têm comprovado que a elevação do nível de concentrado na dieta

16

geralmente resulta em aumento do tamanho dos órgãos internos e redução do tamanho e

17

do conteúdo do trato gastrintestinal (Ferreira et al., 2000; Véras et al., 2001).

18

O uso de diferentes fontes protéicas não influencia o peso dos órgãos internos, o

19

conteúdo do trato gastrintestinal e as medidas biométricas, o que comprova que animais

20

em terminação alcançam o limite de crescimento ósseo, visceral e muscular,

21

apresentando pequena deposição muscular e grande deposição de gordura (Macitelli,

22

2005).

15 1

Lunt et al., (1986) trabalhando com novilhos Angus e mestiços Brahman x Angus

2

e Brahman x Hereford, alimentados com forragens ou grãos, observaram que os fatores

3

raça, ganho em peso diário e dieta afetaram a massa dos órgãos vitais e a relação entre o

4

peso e o peso corporal dos animais. Novilhos Angus apresentaram coração e pulmões

5

maiores do que os Brahman e os Brahman X Angus e os novilhos alimentados com

6

forragens tiveram maior massa de coração e de fígado do que aqueles alimentados à

7

base de grãos.

8

Calil (1978) afirmou que o jejum de dois dias em bovinos, antes do abate, resultou

9

em perda de peso do fígado de até 25%, podendo essa perda atingir até 29% no caso de

10

ovinos. As diferenças no tamanhos relativos dos órgãos entre raças podem ocasionar

11

diferenças nas exigências de mantença.

12

Influência do crescimento relativo de órgãos sobre a exigência nutricional

13

O estudo das partes não-integrantes da carcaça é importante por estas terem

14

influência direta sobre o rendimento da carcaça (Oliveira et al., 1994). Além disso, as

15

diferenças no tamanho relativo dos órgãos podem estar associadas às diferenças nas

16

exigências de mantença (Smith e Baldwin, 1974). Smith e Baldwin (1974)

17

demonstraram que o fígado, o coração, as glândulas mamárias e os tecidos do trato

18

gastrintestinal estão entre as partes de maior atividade metabólica nos animais. Ferrell et

19

al. (1976) avaliando as exigências de fêmeas em diferentes estágios de gestação,

20

observaram que os órgãos internos de novilhas de raças leiteiras Jersey e Holandês são,

21

proporcionalmente, maiores que os de novilhas de corte (Hereford). Os mesmos autores

22

concluíram que o total de energia para mantença exigido pelo tecido muscular é menor

23

do que o da energia exigida pelos órgãos internos, o que explica as maiores exigências

24

para a mantença de novilhas leiteiras.

16 1

Em raças com aptidão leiteira, os maiores depósitos de gordura encontram-se nos

2

tecidos que não fazem parte da carcaça, como órgãos e vísceras, diferentemente das

3

tradicionais raças de corte, em que os depósitos periféricos são mais pronunciados,

4

ocasionado menor exigência para a mantença (Owens et al., 1993). Os órgãos viscerais

5

apresentam elevadas taxas metabólicas e, principalmente, o fígado e o trato

6

gastrintestinal respondem as alterações na ingestão de alimentos (Ferrell e Jenkins,

7

1998) e, juntamente com o aumento no tamanho dos órgãos internos (Fox et al., 1992),

8

respondem em parte pelos maiores requerimentos de animais com potencial para

9

elevada produção de leite.

10

Já Johnson et al. (1990), notaram que o tamanho do fígado de novilhos respondeu

11

rapidamente às mudanças de consumo alimentar, apresentando desenvolvimento linear

12

em resposta ao aumento no consumo de energia metabolizável. Catton e Dhuyvetter

13

(1997) relataram que os tecidos viscerais, embora em menor proporção no corpo dos

14

animais, são de considerável importância para os requisitos energéticos de mantença,

15

pois consomem cerca de 50% do total desta energia.

16

Influência do trato gastrointestinal (TGI) sobre rendimento de carcaça

17

Peron et al. (1993a) compararam bovinos abatidos ao início do experimento (mais

18

leves) com animais submetidos à restrição alimentar ou alimentados à vontade (mais

19

pesados) e concluíram que o regime alimentar influenciou o peso do TGI, que foi menor

20

em animais submetidos à restrição alimentar. Jorge et al. (1997) também observaram

21

redução nos pesos dos compartimentos do TGI e do fígado de bovinos submetidos à

22

restrição alimentar.

17 1

Segundo Preston & Willis (1974) e Ferreira et al. (2000), o conteúdo do TGI

2

diminui linearmente com o aumento do nível de concentrado na ração, uma vez que as

3

rações com menores níveis de concentrado apresentam maiores teores de fibra e menor

4

digestibilidade, aumentando o tempo de retenção no rúmen. Por outro lado, as rações

5

com maiores níveis de concentrado apresentam menores teores de fibra e maior

6

digestibilidade, resultando em menor tempo de retenção.

7

Porém, poucos relatos são encontrados sobre a influência do volumoso no

8

tamanho e conteúdo do TGI, sabe-se apenas que o enchimento do TGI é proporcional ao

9

tamanho das partículas o alimento (Rohr & Daenicke, 1984) e é inversamente

10

proporcional à digestibilidade da forragem.

11

O conteúdo do TGI é medido com o abate dos animais após jejum prévio por

12

período de 16 a 24 horas. A determinação pode ser feita diretamente pela diferença dos

13

pesos do TGI cheio e após o seu esvaziamento e limpeza ou, indiretamente, pela

14

diferença entre o peso corporal e o peso de corpo vazio, sendo este obtido pela soma dos

15

vários componentes do corpo, livre do conteúdo gastrintestinal (Lana et al., 1992).

16

O conteúdo do TGI pode ser influenciado pelo peso corporal, pela raça do animal,

17

pelo estado fisiológico e pelo tipo de alimento ingerido (Agricultural Research Council -

18

ARC, 1995).

19

Estudos têm comprovado que a elevação do nível de concentrado na dieta

20

geralmente resulta em aumento do tamanho dos órgãos internos e redução do tamanho e

21

do conteúdo do trato gastrintestinal (Ferreira et al., 2000; Véras et al., 2001), mas

22

poucos relatos são encontrados sobre a influência do volumoso no tamanho e conteúdo

23

do TGI.

18 1

O peso do conteúdo do TGI, em relação ao peso corporal vazio, é alto nos bovinos

2

criados no Brasil. Segundo Gesualdi Jr. et al. (2001), isto decorre por está relacionado à

3

baixa digestibilidade das forragens utilizadas em sistema de pastejo e/ou à alta relação

4

volumoso:concentrado das dietas utilizadas em sistemas de confinamento. A reduzida

5

digestibilidade, associada às características estruturais das gramíneas tropicais,

6

determinam lenta taxa de passagem da dieta e, conseqüentemente, maior enchimento do

7

TGI (Wilson, 1997).

8

Alterações no enchimento do trato digestivo e na composição corporal não

9

permitem que o peso corporal seja bom indicador do crescimento animal (Owens et al.,

10

1993). Rohr & Daenicke (1984) relataram que esta afirmação é verdadeira, pois os

11

requisitos para o crescimento são altamente relacionados ao desenvolvimento do corpo

12

vazio e à composição química do ganho em peso.

13

O peso do corpo vazio consiste na soma dos vários componentes do corpo, exceto

14

do conteúdo do TGI, que varia principalmente de acordo com a dieta e o estado

15

fisiológico dos animais. O NRC (1996) sugere que há uma relação entre o peso do corpo

16

vazio e o peso corporal final, expressa pela equação: PCVZ = 0,891 PV em jejum.

17

O índice que pode revelar a influência da dieta sobre o ganho em peso dos animais

18

é o PCVZ, pois a influência do conteúdo do TGI é eliminada. Quando se dispõe do

19

PCVZ antes do início do experimento (abatendo animais testemunha) e do PCVZ ao

20

final do experimento, dado importante a ser calculado é o rendimento de carcaça do

21

corpo vazio (RCPCV).

22 23 24

19 1

Com base nessas considerações e na necessidade de avaliar e caracterizar o

2

crescimento relativo de órgãos de bubalinos, a realização desta pesquisa resultou em um

3

trabalho que se encontra no Capítulo 2 e foi intitulado “Crescimento relativo de

4

órgãos e vísceras de bubalinos Mediterrâneo não-castrados terminados em

5

confinamento”. A redação desse capítulo seguiu as normas de publicação da Revista

6

Brasileira de Zootecnia e o presente estudo foi conduzido com o objetivo acima

7

descrito.

8 9 10 11 12 13 14

No Capítulo 3 estão as implicações do presente estudo.

20 1

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9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27

CAPÍTULO 2 “Crescimento relativo de órgãos internos de bubalinos mediterrâneos nãocastrados terminados em confinamento”

25 1 2

Crescimento relativo de órgãos e vísceras de bubalinos Mediterrâneo nãocastrados terminados em confinamento1

3

Luciano Vaz Pinheiro2, André Mendes Jorge3

4

RESUMO: Com o presente estudo objetivou-se avaliar o crescimento relativo de

5

órgãos e vísceras de bubalinos Mediterrâneo não-castrados terminados em

6

confinamento. Utilizou-se 32 bubalinos com idade média de 14 meses de idade e peso

7

corporal médio inicial de 330 kg. Os animais foram divididos aleatoriamente em cinco

8

grupos. Um grupo(AB) foi abatido imediatamente e os outros quatros grupos ( I, II, III e

9

IV ) receberam, em baias individuais, ração contendo 70% de concentrado na matéria

10

seca “ad libtum”, sendo abatidos ao atingirem pesos corporal individual de 450, 480,

11

510 e 540 kg, respectivamente. No abate determinou-se o peso do corpo em função do

12

logaritmo do PCVZ( peso corporal vazio ). Para os ímpetos de crescimento alométrico

13

dos órgãos em relação ao do PCVZ, encontrou-se para o coração e o pulmão

14

crescimento tardio, para o baço crescimento isométrico e crescimento heterogônico

15

negativo para os rins e o fígado, o que demonstra que esses órgãos( rins e fígado) tem

16

prioridade na utilização dos nutrientes.

17 18

Palavras-chave: alométrico, PCVZ, abate

19

1

Parte da dissertação de mestrado do primeiro autor

20

2

Mestrando do programa de Pós graduação em Zooctenia – UNESP

21

3

Prof. Dr. do Departamento de Produção Animal – UNESP

22 23 24

26 Relative growth of organs and visceral from Mediterranean buffaloes

1 2

finished in feedlot

3

Abstract: The objetctive of present study was to evaluate the relative growth of

4

organs fron water buffaloes. Thirty two Mediterranean intact males, averanging, 330 kg

5

initial live fourteen months of age, were used. The animals were divided into five

6

groups(categories). One group was randomly assigned to immediate slaughter (AB),

7

four groups were full-fed a ratio containing 70% concentrate, dry matter basic until

8

reaching the slaughter weights of 450, 480, 510 and 540 kg, respectively(group I, II, III

9

and IV). At slaughter the empty body weights( EBW ) was determined and the weight

10

of internal organs were recorded. Regression equations of log contend studied, with

11

exception of liner and splen, developed slower than in relation to EBW.

12

Key words: alometric, EBW, slaughter

13

Introdução

14

O crescimento e o desenvolvimento são fenômenos básicos para a produção de

15

carne

e

estão

estreitamente

relacionados.

Butterfield

(1988)

descreveu

o

16

desenvolvimento como sendo troca na forma e nas proporções corporais associado no

17

crescimento.

18

O rendimento dos tecidos da carcaça e daqueles que não pertencem a ela, só

19

podem ser entendidos quando se conhecem as proporções de cada um deles, incluindo

20

as vísceras. A avaliação da composição determina a proporção de cada parte dentro da

21

carcaça, pois um dos critérios de qualidade é a porcentagem dos cortes de qualidade

22

superior que esta carcaça contém.

27 1

As diferenças na proporção dos cortes comerciais da carcaça variam em função do

2

peso, raça, sexo e do sistema de criação (Sanañudo, 1980 ; López, 1987). A velocidade

3

de desenvolvimento dos tecidos e órgãos depende da raça, e para cada raça existe um

4

peso ótimo econômico de abate, onde a proporção de músculo é máxima, a de osso é

5

mínima e a de gordura é suficiente para conferir à carcaça as propriedades necessárias

6

conservação sob refrigeração e à carne propriedades organolépticas que satisfaçam ao

7

consumidor.

8

Os estudos de crescimento alométrico examinam o crescimento relativo de um

9

componente corporal em relação a um conjunto de componentes ou ao corpo,

10 11 12

identificando sua taxa de desenvolvimento (Seebeck, 1968) Assim, o objetivou-se com este trabalho avaliar o crescimento relativo dos órgãos e das vísceras de bubalinos Mediterrâneo não-castrados terminados em confinamento.

13

Material e Métodos

14

O experimento foi realizado na Unesp, Faculdade de Medicina Veterinária e

15

Zootecnia( FMVZ), Departamento de Melhoramento e Nutrição Animal( DMNA),

16

confinamento experimental, no município de Botucatu/SP.

17

Foram utilizados 32 bubalinos da raça Mediterrâneo, não-castrados e recriados em

18

pastagem nativa do litoral norte de São Paulo, com idade média de 14 meses e peso

19

corporal médio inicial de 330 kg, divididos aleatoriamente em quatro grupos

20

experimentais.

21

Os animais foram divididos aleatoriamente em grupos de sete animais cada um e

22

alocados em quatro baias, possuindo 20 metros de largura por 30 metros comprimento,

23

bebedouro do tipo australiano, com capacidade para 1.500 litros e com acesso a sombra

24

de 6 m2 por animal.

25

1 - Abate inicial ou referência (grupo AB);

28 1

2 - Abate, aos 450 kg PV(grupo I);

2

3 - Abate, aos 480 kg PV(grupo II);

3

4 - Abate, aos 510 kg PV (grupo III);

4

5 - Abate, aos 540 kg PV (grupo IV).

5

No tratamento AB foram alocados quatro animais e nos demais tratamentos

6

(grupos I, II, III e IV) foram alocados sete animais.

7

O período de adaptação teve a duração de 30 dias, fornecendo-se a todos os

8

animais a ração utilizada no período experimental, “ad libitum”. Após o período de

9

adaptação, foram abatidos os animais do grupo AB, servindo como referência no estudo

10

da composição corporal inicial dos animais.

11

Os animais dos grupos I, II, III e IV receberam, durante o período experimental,

12

uma ração balanceada “ad libitum”, em que para estabelecimento das exigências e

13

formulação da dieta utilizou-se o programa do NRC (1996) nível 2, baseando-se em

14

simulação ruminal, para animais não-castrados, com níveis de ganho em peso de 1,40

15

kg/dia. Procurou-se sempre manter a proporção concentrado: volumoso próxima de

16

70:30, na matéria seca (MS).

17

Os alimentos utilizados na formulação da ração foram o feno de coast cross, a

18

silagem de milho, o caroço de algodão, a silagem de grão de milho úmido e os minerais

19

(Tabela 1).

20 21 22 23 24 25

29 1 2

Tabela 1. Composição percentual da dieta experimental e valores calculados base na matéria seca Ingredientes MS (%) Silagem de milho

7,8

Feno de coast cross

20,6

Caroço de algodão

8,2

Silagem de grão de milho úmido

46,0

Concentrado NUTRUMIN®

17,4

Proteína Bruta (PB)

13,0

Energia Metabolizável(EM)

2,68

3 4

O fornecimento das rações completas aos animais foram ad libitum, de forma que

5

as sobras nos cochos, em período de 24 horas, sejam de 5% a 10% da matéria seca

6

fornecida em duas porções, diariamente, as 8 e às 17 horas.

7 8

A cada pesagem calculou-se o peso médio dos lotes e assim foram realizados os ajustes de consumo de matéria seca (MS).

9

O período experimental não terá duração pré-fixada, uma vez que os animais

10

foram abatidos assim que atingiam os pesos preestabelecidos de 450, 480, 510 e 540kg,

11

correspondentes grupos I, II, III e IV, respectivamente.

12

Antes do período de adaptação, os animais foram pesados, após jejum de sólidos

13

de 16 horas, identificados com brincos numerados, submetidos ao controle de endo e

14

ectoparasitas e receberam 2.000.000 UI de vitamina A injetável.

15

Os animais foram pesados a cada 28 dias e, à medida que um animal aproximou-

16

se do peso de abate preestabelecido, foi pesado a intervalos menores, de forma a ser

17

abatido com o peso previsto.

30 1

Antes do abate, os animais foram submetidos a o de jejum de sólidos de 16 horas,

2

com livre acesso à água. Após a pesagem do animal houve a insensibilização por pistola

3

de dardo cativo e posterior seção da veia jugular. De cada animal abatido, peso-se o

4

sangue, rúmen-retículo, omaso, abomaso, intestino delgado, intestino grosso,

5

mesentério, carne industrial, gordura interna, fígado, coração, rins, baço, pulmão,

6

língua, couro, cauda, esôfago, traquéia, aparelho reprodutor, cabeça, pés e couro.

7

A carcaça foi dividida em duas metades, com o auxílio de serra elétrica, e pesadas

8

individualmente. Em seguida, as duas metades da carcaça foram levadas à câmara fria,

9

onde permaneceram por aproximadamente 18 horas, à temperatura de -5oC. Decorrido

10

este tempo, utilizou-se a metade esquerda da carcaça, retirou-se a secção tranversal,

11

incluindo a 9a, 10a e 11a costelas, da qual destacar-se-á a secção segundo Hankins e

12

Howe (1946), secção HH.

13

O PCVZ dos animais referência (AB) foi determinado somando-se peso da

14

carcaça, sangue, cabeça, pés, couro, cauda, vísceras e órgãos. Relações específicas entre

15

o PCVZ e o peso corporal foram determinadas. O valor obtido foi utilizado para se

16

estimar o PCVZ inicial dos animais experimentais dos grupos remanescentes (II, III, IV

17

e V). O PCVZ final destes animais foi determinado de modo semelhante ao obtido pelos

18

animais-referência, por ocasião do abate.

19

As análises estatísticas foram feitas utilizando-se o programa SAS (1995).

20

No estudo do desenvolvimento relativo dos órgãos e vísceras, adotou-se a equação

21

de regressão do logaritmo da quantidade corporal de órgãos, vísceras, em função do

22

logaritmo do peso do corpo vazio, conforme o modelo abaixo:

23 24

Yij = µ + bi Xij + eij, em que

31 1 2

Yij

= logarítmo do peso total de órgãos e vísceras, no corpo vazio, do animal j, no

tratamento i;

3

µ = média (intercepto);

4

b=

5

coeficiente de regressão do logarítmo do peso de órgãos, em função do

logarítmo do peso do corpo vazio, para os tratamentos;

6

Xij = logarítmo do peso do corpo vazio, do animal j do tratamento i;

7

eij = erro, pressuposto normalmente distribuído, com média zero e variância σ2.

8

Resultados e Discussão

9

Valores do coeficiente b iguais a 1 indicam que a velocidade de crescimento do

10

componente avaliado no tecido ou órgão (parte) é semelhante ao crescimento verificado

11

no todo (PCVZ). Valores menores que 1 indicam que o componente está crescendo, na

12

parte, em taxa mais rápida do que no todo, e valores maiores do que 1 indicam que a

13

taxa de crescimento do componente é mais lenta na parte do que no todo.

14

Os coeficientes de regressão (b) das equações da Tabela 2 revelam a intensidade

15

de desenvolvimento dos órgãos (coração, fígado, baço, pulmão e rins) em relação ao

16

PCVZ.

17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32

32 1 2 3 4

Tabela 2. Parâmetros das equações de regressão do logarítmo do peso dos órgãos e do peso de carcaça (kg) em função do logarítmo do peso corporal vazio (PCVZ). Table 2. Parameters of logarithm regression equations of organs and carcass weight (kg) on the empty body weight (kg) logarithm

Componente

Parâmetros das equações de regressão

Components

Regretion equation parameters

Coração

R2

Intercepto

Coeficiente b

Intercept

Coeficient b

-4,27411

1,71806**

0,4699

-1,15410

0,71586**

0,4593

-2,82535

1,08204**

0,4072

-4,10096

1,77667**

0,4828

-1,55718

0,61306*

0,0971

Heart Fígado Liver Baço Spleen Pulmão Lungs Rins Kidney 5

** Significativo (P