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Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação Câmpus de Bauru

Programa jornalístico de conteúdos multimídia colaborativos integrados a uma plataforma cartográfica de mídia digital Jaqueline Rodrigues Pereira1 Francisco Rolfsen Belda2

RESUMO Este resumo é resultado das pesquisas iniciais sobre o potencial da televisão digital para fomento da cultura participativa no telejornal local. Além disso, estuda-se a disponibilização simultânea dos conteúdos jornalísticos em plataformas cartográficas. E, diante da evolução tecnológica e da tendência atual, verificou-se também a necessidade de desenvolver ou, ao menos, propor um modelo de aplicativo que facilite a interação dos espectadores com a mídia. Jenkins (2009) aponta que o telefone celular é um exemplo representativo deste período que estamos vivendo. No livro, o autor admite que este dispositivo se tornou uma ferramenta importante para produção, envio e recebimento de vídeos e fotos. Jenkins considera apropriado o uso de dispositivos móveis pelos participantes de experiências urbanas de entretenimento. Por isso, é relevante levarmos isso em consideração no trabalho em desenvolvimento, pois a convergência está cada vez presente nas relações dos usuários com a tecnologia contemporânea. Assim como o autor destaca em seu livro, o trabalho também considera que a ideia de convergência midiática serve para traduzir as mudanças nas formas de relacionamento do público com os meios de comunicação. Diante da disponibilidade da televisão digital, essas ações poderão ser aplicadas com maior eficiência. Para este trabalho, inicialmente, foi feita uma abordagem sobre a implantação da televisão digital no Brasil e suas possíveis formas de interação. Como destaca Cruz (2008) a televisão digital tem como principais metas a inclusão social e cultural, a criação de uma rede universal de ensino a distância, a ampliação do acesso à tecnologia, a convergência tecnológica e a democratização da informação. No Decreto Presidencial nº 4.901 de 2003 fica explícita a importância, e não apenas tecnológica, da digitalização da TV no Brasil, pois a televisão digital não é apenas uma evolução tecnológica da televisão analógica, mas uma nova plataforma de comunicação, cujos impactos na sociedade ainda estão se delineando afirmam Montez e Becker (2005). O 1

Formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela UNESP - Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita de Filho” – Campus de Bauru. É aluna ingressante do programa de PósGraduação em Televisão Digital: informação e conhecimento da Faculdade de Arquitetura Artes e Comunicação da UNESP de Bauru na Linha de Pesquisa 1 – Gestão da Informação e Comunicação para Televisão Digital. Atualmente trabalha como produtora de conteúdo na Rede Record. Contato: [email protected] 2

Professor do Departamento de Comunicação Social da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", docente do Curso de Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em Televisão Digital. Tem graduação em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo e doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Comunicação Social e atua principalmente nos seguintes temas: jornalismo científico, planejamento editorial, gestão de informação, tecnologia educacional e mídias digitais.

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modelo escolhido foi o modelo japonês (ISDB-t) e foi desenvolvido em território nacional, possibilitando a transmissão digital em alta definição de imagem e som High Definition Television (HDTV) simultânea para a recepção do sinal fixo, móvel e portátil, abrindo possibilidade para a multiprogramação. A implantação da televisão digital é um grande passo para um país em desenvolvimento e desperta esperanças de mudança na regulamentação setorial e na estrutura dos mercados de radiodifusão (BRITTOS, BOLAÑO e ROSA, 2010, p.06). A interatividade é, sem dúvida, a característica mais propalada da TV digital. Afinal, significa, em tese, o fim da unilateralidade nas transmissões televisivas. Ou seja, o assistir televisão deixa de ser um ato passivo, e o telespectador se torna um agente nesse processo, podendo com apenas um toque no controle remoto interagir com a emissora. As possibilidades com a abertura desse “canal” são inúmeras. O telespectador pode votar em programas, responder a testes, participar de debates, acessar mais informações sobre o conteúdo (programa), comprar, e, sobretudo, tornar-se produtor de conteúdo, contribuindo para a construção da programação da emissora ou do fechamento de uma reportagem, por exemplo (PEREIRA, 2010, p. 166167). Como a digitalização da televisão ainda está em andamento, é dificultado analisar a eficácia das formas de interação. Porém, sabe-se que elas contribuirão significativamente para que as metas inicialmente propostas sejam atingidas. Aproveitando as opções da televisão digital e das modernidades tecnológicas, propôs-se elaborar um programa televisivo, que fomentasse a cultura participativa valorizando o espectador e abrindo espaço para eles. Para este programa foram elaborados modelos de negócio, processo e conteúdo, que serão a base para a estruturação do mesmo. Durante a elaboração foi possível detectar as falhas e ruídos, que poderiam interferir na viabilidade e na eficiência do programa. A segmentação do jornalismo e a valorização do local vêm se desenhando desde meados de 1980. Foi quando empresas descobriram nichos de espectadores ávidos por entender o mundo ao seu redor. Vale ressaltar que a notícia local não é somente o que acontece na esquina ou no bairro, mas também aquela que ocorre fora da cidade murada e interfere silenciosamente no cotidiano. A grande oportunidade do jornalismo local nesta década é reconstruir o conceito de notícia local de acordo com o novo século. Por isso é importante fazer com que o público faça parte da construção jornalística. E pensando em deixar isso ainda mais visível, não apenas em um horário específico da televisão, é que se pensou em elaborar simultaneamente ao programa um mapa informativo. Até meados do século XX, o mapa não era pensado como um produto de comunicação social. Não fazia parte do contexto científico cartográfico o questionamento dos aspectos da comunicação em cartografia (GOMES, et al., 2012). Mas, se os mapas servem de orientação e de base para o planejamento e conhecimento do território, a sociedade acaba sendo consumidora dessas representações cartográficas que são um meio de comunicação. Segundo Belluzzo (2006), os mapas são importantes ferramentas gráficas e, bem desenhados, são uma efetiva fonte de comunicação porque eles permitem a compreensão das complexidades do ambiente, reduzem o tempo de procura e revelam relações espaciais que de outra forma não seriam notadas. Acredita-se que o uso de quaisquer desses tipos de mapas traz inúmeros benefícios para a gestão da informação e da comunicação. Pois, diante do excesso de informação e de conhecimento, os mapas permitem uma filtragem do que é relevante e pertinente ou prioritário. E, no mapeamento colaborativo, os próprios usuários também são produtores da informação cartográfica. Sendo assim, os mapas de informação podem ser ferramentas úteis no processo de comunicação, diante do fato de que esses diagramas facilitam a compreensão do conteúdo. O trabalho está em andamento e,

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portanto, ainda não é possível apontar os resultados. Espera-se ao final desse projeto elaborar um modelo de referência, que poderá ser oferecido para diferentes emissoras e ser adaptado diante das necessidades de cada cliente. Ainda há possibilidade de mudanças e adaptações, para que o produto tenha qualidade, seja interessante comercialmente, tenha mercado e visibilidade. REFERÊNCIAS ARCHELA, Rosely Sampaio; TRÉRY, Hervé. Orientação metodológica para construção e leitura de mapas temáticos. 2008. Disponível em: http://confins.revues.org/3483. BELDA, Francisco Rolfsen. Um modelo estrutural de conteúdos educativos para televisão digital interativa. 2009. Disponível em: http://tvdigitaleducativa.files.wordpress.com/2010/09/tese_francisco_belda_final.pdf. BELLUZZO, Regina Célia Baptista. O uso de mapas conceituais e mentais como tecnologia de apoio à gestão da informação e da comunicação: uma área interdisciplinar da competência em informação. 2006. Disponível em: http://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/19/7. BRITTOS, Valério Cruz; BOLAÑO, César Ricardo Siqueira; ROSA, Ana Maria Oliveira. O GT “Economia Política e Políticas de Comunicação” da COMPÓS e a construção de uma epistemologia crítica da Comunicação. In: ENCONTROANUAL DA COMPÓS, 19., 2010, Rio de Janeiro. Anais ... Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2010. 1 CD. CRUZ, Renato. TV digital no Brasil: tecnologia versus política. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2008. FRAGOSO, S. (2001) “De interações e interatividade”, In: Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação, Brasília, Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação, 2001. CD-ROM. FUNTTEL, 2005. Modelo de Referência – Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre. Projeto Brasileiro de Televisão Digital – OS 40539. PD.30.12.36ª.0002ª/RT-08AB, FUNTTEL; 2005. GOMES, C. S. N.; at al. Comunicação na cartografia. 2012. Disponível em: http://www.faculdadedondomenico.edu.br/novo/revista_don/artigos5edicao/1ed5.pdf. JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. São Paulo: Aleph, 2009. LEMOS, André. Anjos interativos e retribalização do mundo: sobre interatividade e interfaces digitais. 1997. Disponível em: http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/lemos/interativo.pdf.

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